Deixe-me sentir
Deixe-me sentir sua respiração, ouvir sua voz, tocar suas mãos.
Deixe-me aproximar, tocar e sentir sua pele, enquanto seus olhos descansam sobre mim.
Deixe-me sentir seus lábios nos meus, enquanto as nossas mãos de perdem em curvas desconhecidas de nossos corpos.
Deixe-me sentir sua temperatura e seus pelos se arrepiando quando entram em contato com os meus.
Deixe-me sentir os seus cabelos quando meus dedos se entrelaçam nele.
Deixe-me sentir sua voz cada vez mais doce, sua respiração cada vez mais ofegante…
Deixe-me senti-lo ….
Deixe-se sentir-me …
I find it hard to tell you
- Oi, tudo bem?
- Tudo – na verdade não, eu estou completamente mal, completamente afogada mas na verdade isso não faz diferença não é? Ninguém realmente se importa. Ninguém realmente sabe quem é. Ninguém realmente tem as respostas e nem se quer sabe as perguntas.
- Entendi… então, hoje eu blablabla meu blablabla eu blablabla
- (…) não, você não entendeu, pare, pare de olhar para si, olhe ao seu redor
- (…)
- À minha volta são todos rostos familiares, lugares desgastados, rostos desgastados. Indo a lugar nenhum. E suas lágrimas estão enchendo seus óculos. Sem expressão. Todos escondendo suas cabeças, querendo afogar seus sofrimentos. Você não vê?
- (…)
- (…) Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que eu já tive…
Defina: Afogamento
Sinto esse vazio, cada vez mais profundo. Perco-me dentro dele, me afogando cada vez mais dentro de mim. Afogo-me sem ao menos gritar por socorro ou tentar me salvar, aceito cada momento do afogamento, a água entrando pela boca e nariz em grande quantidade, a ardência de tanta agua descendo com brutalidade. Uma agua escura e sombria, a sinto entrando em meu pulmão, fecho os olhos devagar, frio, o corpo amolecendo aos poucos, os braços caindo e o peso aumento, caindo cada vez mais, me envolvendo cada vez mais por toda a agua e escuridão, completamente afogado. Nem mesmo um sorriso falso, consigo formar no rosto.
Precisamos Falar Sobre o Kevin
Este texto é uma opinião e possui spoilers.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Lynne Ramsay
Elenco: Tilda Swinton, Ezra Miller, John C. Reilly, Siobhan Fallon, Ursula Parker, Jasper Newell, Rock Duer, Ashley Gerasimovich, Erin Maya Darke, Lauren Fox
Produção: Jennifer Fox, Luc Roeg, Robert Salerno
Roteiro: Lynne Ramsay, Rory Kinnear
Fotografia: Seamus McGarvey
Trilha Sonora: Jonny Greenwood
Duração: 110 min.
Ano: 2011
País: Reino Unido/ EUA
Gênero: Drama
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: independente / BBC Films / Atlantic Swiss Productions / Lipsync Productions / Artina Films / Footprint Investment Fund
Realmente, precisamos falar sobre o Kevin. Um filme fantástico, baseado na obra de mesmo título. Apresenta-nos, do ponto de vista da mãe, como é ser a mãe de um assassino. O filme começa com a ambientação de como é a atual vida de Eva, depois dos acontecimentos com seu filho e por meio de flashback descobrimos o que aconteceu em um passado não tão distante.
Mas tirando o foco de Eva e passando para Kevin, muitas criticas o apresenta como um psicopata que desde criança nunca gostou da mãe e demostrava ser uma pessoa completamente diferente diante do pai considerado por muitos como remissivo. Em minha opinião, sim Kevin e a mãe aparentam não se gostarem (apesar das tentativas de aproximação da mãe), mas aqui vemos algumas contradições, como por exemplo, o fato de que quando ele esta doente é a mãe quem ele procura, todas as suas birras e remedações são direcionadas a mãe, como um apelo constante de atenção, e a mãe é a única que ele deixa sobreviver mesmo que em uma condição complicada, mas isso não seria uma prova de que ele gosta sim da mãe? Um desejo, quem sabe, subconsciente de ter a mãe só para si? Porque no final foram só os dois que restaram, com a mãe sempre o visitando e mantendo seu quarto intacto em sua casa.
Com relação ao pai ser remissivo, não penso que seja só uma atitude do pai, mas sim da mãe e do pai, Kevin é mimado. Em nenhum momento – com exceção de quando os pais estam discutindo a respeito de mudar de casa e Kevin fica o tempo todo remedando os dois e então a mãe lhe dá um tapinha de leve na mão pedindo para que pare – a demonstrações com relação à educação de Kevin, aprendizagem de limite, seja por castigo, conversa ou qualquer outra tática pedagógica. Por isso, considerado que esse tipo de culpa como talvez fator precedente dos atos de Kevin não seja só do pai mas dos pais, ele possui é uma falta de limite e respeito.
Kevin aparenta ser muito inteligente, porém é um adolescente arrogante e mimado, sem limites que acha que seus atos não possuem consequência, considerando-se assim superior ao outros e inatingível. Sua arrogância é percebível principalmente na cena em que ele espera a policia o prender e sorri e nas cenas em que sua mãe lhe visita na penitenciária juvenil e este sempre a tratando com arrogância, como se nada daquilo o atingisse.
Porém a cena final, que é a maior cena, prova de que Kevin não é um psicopata e sim um adolescente mimado e arrogante. Quando já na prisão, depois de dois anos, machucado e abalado, sua mãe lhe pergunta o motivo de seus assassinatos, este responde “eu achei que sabia, mas agora não tenho certeza” e então abraça sua mãe, em uma patética cena de amor incondicional, em que mãe e filho se amam apesar dos pesares. Mas na verdade é mais uma prova de que os dois realmente se gostavam e de que Kevin não é um psicopata, porque estes sempre tem certezas de seus atos e não possuem empatia ou auto piedade.
O filme apesar de querer passar o lado da mãe com relação à criação e convivo de um filho assassino mostra muito mais o lado de um amor incondicional em que mãe perdoa todos os atos de seu filho, mesmo os atos contra ela e os assassinatos. Realmente me questiono a respeito deste amor incondicional.







